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Carta de fiel católico a Silas Malafaia responde críticas do pastor ao papa Francisco: “Vocês são cegos que querem guiar cegos”

As críticas do pastor Silas Malafaia ao papa Francisco e seus discursos durante sua visita ao Brasil receberam uma resposta em forma de carta, que circula pelas redes sociais, compartilhada por mais de 1,3 mil internautas católicos só no Facebook.
Escrito pelo blogueiro Fernando Nascimento, o textoconfronta o líder da Assembleia de Deus  Vitória em Cristo em seus argumentos, respondendo a Malafaia sobre questões ligadas ao crescimento dos evangélicos, legados sociais da Igreja Católica às cidades brasileiras, humildade, entre outros.
“Dirijo-me ao senhor com respeito porque assim me ensinaram meus pais, em primeiro lugar. Educação vem do berço [...] O senhor tem todo o direito de falar a respeito da visita do Santo Padre ao Brasil e em nenhum momento o senhor foi ofensivo (como o foram as manifestantes que seauto-intitulam “vadias”).  Admira-me o fato de que os meus irmãos da fé no Christus Totus, os meus irmãos católicos, estejam escandalizados e furiosos. Eu não esperava nada diferente, a final: o senhor é filho do cisma protestante”, introduziu Nascimento.
Sobre o crescimento evangélico e um suposto alarde da cúpula da Igreja Católica a esse respeito, Nascimento minimizou: “O senhor disse que o Papa está profundamente preocupado com a evasão dos católicos para as igrejas Protestantes [...] Foi a mídia quem trouxe a tona este tema que, mesmo no Documento de Aparecida (onde o mesmo foi abordado) o mesmo não tomou mais que poucas páginas da primeira parte do documento; o papa Francisco não demonstrou preocupação sobre o tema. Se o senhor fizer um balanço de todos os pronunciamentos do papa em sua visita ao Brasil (com honestidade intelectual) verá que o tema foi mencionado aqui e acolá, mas não estamos nesta ‘consternação toda’”, afirma o autor.
Nascimento diz ainda, em sua carta ao pastor Silas Malafaia, que não se pode acusar o catolicismo de falta de tradição, e que mesmo com as divergências teológicas entre a Igreja Católica e o protestantismo, a Igreja romana tem legitimidade.
“Não há uma única capital deste país que não tenha, em sua história, o legado da Igreja Católica com suas Escolas, Hospitais, Universidades e seus missionários [...] Nós temos um legado, uma história, e não somos um ‘vento de doutrina’… Temos dois mil anos. Posso escolher qualquer bispo católico de qualquer parte do mundo e começar a contagem: este foi ordenado por este, que foi ordenado por este, etc, que chegarei até aos Apóstolos. Temos história (ainda não estou abordando doutrina, mas apenas algo que se chama direito histórico). Portanto, a Igreja Católica tem o seu peso no Brasil”, contextualiza o blogueiro.
Contra a afirmação de Malafaia que o papa teria falado sobre humildade e pobreza de forma vazia devido às reservas de ouro do Vaticano, o blogueiro diz que a Igreja Católica não se beneficia disto e condena os corruptos que são descobertos.
“O senhor acusou o papa Francisco de ‘falso’ por falar de pobreza. Muito bem: sua alegação é a de que o Vaticano é ‘a maior reserva de ouro’ do mundo. O senhor, que é um homem inteligente, deveria saber que o tratado de Latrão faz do Vaticano um patrimônio da humanidade; ninguém pode ‘vender’ o Vaticano, ou partes do Vaticano. São obras de arte feitas com o melhor de que se dispunha na época, sob a visão da Era da Cristandade, oriunda da Sagrada Escritura, de que ‘ouro e prata pertencem ao Senhor’. Desta ‘reserva de ouro’ nenhum bispo ou cardeal pode dispor. Os escândalos do Banco do Vaticano não são novidade alguma; ao longo da história da Igreja tivemos – e aos montes! – padres, bispos e papas com conduta deplorável, amantes do dinheiro. Aliás, diga-me qual é a realidade humana onde não encontramos tais coisas, não é mesmo? Contudo, estes cardeais não são representantes, mas traidores da Igreja, e assim são recordados e mencionados”, pontua Nascimento.
O confronto mais agudo de Nascimento contra Malafaia se dá no âmbito da teologia da prosperidade, defendida pelo pastor e fonte de inúmeras discordâncias no meio evangélico: “O senhor diz que não podemos falar ‘de pastor’ por causa de tudo isto que escrevi acima. A questão é a seguinte: Não foi justamente tudo isto que gerou a ‘Reforma’? É irônico o fato de que os ‘reformadores’ são, agora, os propagadores da nefasta ‘Teologia da Prosperidade’. A mais expressiva Igreja Pentecostal Brasileira, a IURD, vende arruda, terreno no céu e por aí vai… Nós podemos falar SIM do escândalo dos pastores, Sr. Malafaia, porque vocês são cegos que querem guiar cegos… Há muitos pastores vivendo no luxo, o que causa escândalo ao coração do pobre e sofrido povo de Deus”, criticou o blogueiro, de forma contundente.
O ataque de Nascimento contra os argumentos de Silas Malafaia abrangeu também os episódios em que o pastor foi à televisão mostrar suas finanças, após ser apontado pela revista Forbes como um dos líderes evangélicos mais ricos do Brasil.
“O senhor acha que isto é falsidade… Tem o direito de expressar isto. Para mim, contudo (e tenho o direito de dizê-lo) o que está acontecendo é que o comportamento do justo irrita o proceder do ímpio. Os pastores evangélicos estão tendo que correr para os mais diversos meios de comunicação para prestar contas de suas finanças há algum tempo (o senhor mesmo teve que fazer isto várias vezes)… O proceder do Papa realmente lhes incomoda”, afirmou o blogueiro, antes de complementar: “Eu já vi o senhor falar bem da Igreja Católica em alguns aspectos; eu lhe considerava honesto intelectualmente… Agora, confesso, que questiono esta honestidade intelectual que é incapaz de reconhecer o bem quando o vê.  É com honestidade e respeito que lhe respondo”.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

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