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Pastor Renato Vargens critica crescente número de evangélicos que optam pelo calote em dívidas: “Que avivamento é esse?”

O Brasil é um país dito emergente, com certa estabilidade econômica nas últimas décadas e, embora pequeno, com algum crescimento de renda e expectativa de vida dos trabalhadores. Além disso, outra grandemudança social foi escancarada pelo Censo 2010: o crescimento dos evangélicos, que na primeira década do novo século, chegou a taxa de mais de 60%.
Com tantos holofotes da mídia sobre o povo evangélico, questões comportamentais passam a ser olhadas com mais atenção, e a questão financeira é uma delas. O pastor Renato Vargens, líder da Igreja Cristã da Aliança, publicou em seu blog um artigo sobre os “calotes” praticados por fiéis evangélicos.
“Não estou generalizando. Bem sei que existem casos diferenciados de irmãos que se endividaram em virtude do desemprego, enfermidade ou até mesmo da morte de um ente querido, entretanto, para nossa tristeza existe um número considerável de cristãos que ao contrário do que deviam agem desonestamente não honrando suas dívidas, nem tampouco pagando suas contas”, introduz o pastor, demonstrando preocupação.
De acordo com o texto de Vargens, é princípio bíblico cumprir os compromissos assumidos: “O Apostolo Paulo ao escrever a epístola aos Romanos ensina que os cristãos não podem dever nada a ninguém. ‘A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.’ (Romanos 13:08). No entanto, ao contrário disso um número incontável de evangélicos brasileiros encontram-se absolutamente endividados.  Infelizmente sei de casos de pessoas que em nome da  ‘bênção’ e da prosperidade gastam mais do que ganham. Para piorar a situação, existem aqueles que  pegam dinheiro emprestado e não pagam os seus credores, isso sem falar é claro, naqueles que fazem crediários, empréstimos dando calote no comércio”, lamenta.
O pastor repercute ainda a má reputação que os líderes eclesiásticos evangélicos adquiriram recentemente perante a sociedade: “Há pouco, um amigo compartilhou que tentou comprar um carro financiado, mas o vendedor quando soube que o proponente da compra era um pastor desistiu do negócio por entender que pastores não pagam suas dividas. Triste isso não é verdade? Lamentavelmente sou obrigado a concordar que muitos evangélicos tem agido desonestamente não cumprindo com as suas obrigações”, constata Renato Vargens.
“O que me assusta é que parte da igreja ainda advoga a causa de que estamos vivendo um genuíno avivamento. Ora, pare, pense e responda: Que avivamento é esse onde os crentes não pagam suas dívidas? Que avivamento é esse que evangélicos pegam empréstimos bancários e dão calotes nos bancos? [...] Ao contrário do ‘Avivamento tupiniquim’ os avivamentos que aconteceram no decorrer da história proporcionaram mudança comportamental nos crentes”, pontua o pastor, com uma crítica indireta à ênfase que é dada por igrejas pentecostais e neopentecostais à teologia da prosperidade: “Por que ouviram um falso evangelho que está fundamentado tanto na confissão positiva, como na teologia da prosperidade cujo deus é o secularismo”.
Lei de Gérson
Há uma máxima popular brasileira que diz que as pessoas que buscam vantagem em tudo, seguem a Lei de Gérson. Em seu artigo, Vargens resume a origem do ditado: “Em nosso país, é muito comum, ouvirmos dos lábios daqueles que nos relacionamos o que é que se pode ganhar com aquele tipo de atitude ou comportamento. Lembro que na década de 70 existia uma propaganda vinculada em rede de TV sobre uma marca de cigarro, na qual o ex-jogador da seleção brasileira Gérson era o protagonista. A propaganda dizia que comprar o cigarro em questão era vantajoso por ser melhor e mais barato que as outras marcas. E ao no final do comercial Gérson zombeteiramente dizia: ‘Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?’”, explica o pastor.
Segundo Vargens, o termo se propagou devido à identificação do povo com a proposta do comercial: “Com o passar dos anos a propaganda captou um elemento de identificação que estava no imaginário popular. O jargão usado na época se transformou então naquilo que hoje denominamos de lei de Gerson, a qual passou a funcionar como mais um elemento na definição da identidade nacional e o símbolo mais explícito da nossa ética ou falta dela”.
Na conclusão de sua crítica à prática da inadimplência por parte de evangélicos como um todo, Vargens diz: “Como cristãos somos desafiados a não vivermos segundo as regras deste sistema. De maneira alguma podemos permitir que valores antiéticos e amorais conduzam nossas vidas. Na perspectiva bíblica jamais nos será permitido negociarmos o inegociável, nem tampouco, instrumentalizarmos as pessoas com vistas ao nosso sucesso pessoal. Os pressupostos do reino nos motivam a vivermos uma vida justa, reta e equânime, onde nem sempre ganhamos. Pense nisso!”.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

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